Meu Filho (a) vai ser atleta II

Meu Filho (a) vai ser atleta II



Ainda sobre este importante fato, a vida que você sonha para o seu filho (a) pode surpreender você! Por isso é importante se manter tranquilo e permitir que as coisas aconteçam no tempo certo. Incentive seu filho (a), estimule-o, mas observe os sinais que ele vai emitir! Falei da minha filha Beatriz que é Atleta de rendimento na modalidade do Vôlei. Vou citar o exemplo do meu outro filho, o Matheus com 21 anos hoje, que trilhou um caminho bem diferente. Matheus aos 09 anos demonstrava aptidão para ser Goleiro, assim como eu fui! Até aquele momento sem qualquer interferência minha! Certo dia fui assisti-lo “brincar” numa partida de futebol com seus coleguinhas de escola e para minha surpresa Matheus estava no gol! Que Show! Ao término daquela atividade percebi que Matheus apresentava todas as virtudes que um goleiro precisa ter por aptidão, credenciando-o assim a tentar construir uma sólida carreira! Eu nem podia acreditar!


Alguns anos antes disso quando eu ainda era atleta, Matheus tinha por volta de 05 anos. Com alguma frequência, na véspera dos jogos eu e alguns colegas levávamos nossos filhos para dividir a mesma alegria com eles, para desfrutar daquele ambiente aberto ao sol, com tapete verde de grama natural, nosso palco de trabalho! Enquanto os filhos dos meus colegas se divertiam no campo com a bola, Matheus se sujava nas caixas de areia, subia nos bancos dos suplentes e ficava atrás dos bichos da terra! Isso até ele descobrir o “carrinho do picolé” do lado de fora do alambrado... Ele brincava saltando e pulando por 10 minutos no campo e depois se sentava ao lado do carrinho. Os picolés lambuzavam suas bochechas coradas, derretiam entre os dedos e escorriam até o cotovelo... Matheus se divertia mais com os picolés, com os bichos e a terra, do que com a bola!


Por isso minha surpresa ao vê-lo no gol da escola! A partir daí, não só o incentivei na prática da modalidade e da posição escolhida, como o coloquei para treinar com um profissional específico da posição. Por cinco anos Matheus treinou e se desenvolveu como um verdadeiro Goleiro. Contudo, com o passar do tempo eu entendi que levei mais a sério a vocação do meu filho, do que ele mesmo pretendia levar. Vocês pais devem ficar atentos, isso pode acontecer com vocês também! Quando Matheus chegou aos 14 anos, passou a demonstrar desinteresse pelos treinamentos que estavam ficando mais sérios e muito estafantes! A partir dessa idade a “ludicidade” (prática do esporte por prazer) começa a perder espaço para o “rendimento” (prática do esporte por resultado). No esporte de rendimento as cobranças são naturais e elas vêm de todos os lados, principalmente de dentro, dentro do peito!


Matheus já treinava em um clube de rendimento quando certo dia me ligou pedindo para que eu fosse buscá-lo no local de treinamento, havia ocorrido um problema! Ele havia sido “dispensado” pelo clube! Sem entender as razões da dispensa, minha cabeça girou em 360º graus! Tentei passar confiança para ele por telefone e no caminho para o centro de treinamento fui conjecturando em minha mente meus próximos passos! Como ele estaria se sentindo? Eu teria que ser forte e demonstrar toda segurança possível! Eu precisava incentivar meu filho a seguir em frente! Quais contatos eu poderia estabelecer para oferecer ao meu filho outra chance, um novo clube e novas perspectivas! Minha cabeça não parava de pensar! Quando cheguei ao local de treinamento, pensei em me deparar com um Matheus chorando, triste, afinal algo ruim acontecera, mas, para minha surpresa Matheus estava sóbrio como um velho sábio...


Como? Indaguei-me a pensar! Meu filho havia sido dispensado! Matheus entrou no carro, olhou no meu olho e disse que tinha sido dispensado e... Percebendo minha inquietude em cortar sua fala, ele sorriu levemente, e disse que estava tudo bem e que a dispensa o deixara feliz! - Mas como? Disse eu! Sim, Matheus estava aliviado. Perguntei se ele queria que eu o levasse para outro clube, como conhecedor da posição eu sabia do potencial dele e uma aprovação futura era algo certo! Matheus disse que não, ele estava feliz com aquilo!


Matheus sempre demonstrou uma inteligência acima da média, ele se destacava na escola, não era muito de falar naquela fase da sua vida, mas sua personalidade já tinha traços de força e certa sabedoria! O discurso dele me passou confiança, no fundo me senti aliviado, afinal meu filho estava tranquilo e feliz! Matheus nunca mais demonstrou qualquer interesse que não fosse o do “futebol de lazer” para praticar. No fundo, ao analisar com calma toda a situação acredito que meu filho Matheus se autossabotou e de propósito, até chegar à dispensa. Para o Matheus a dispensa não se tratava de uma desonra, na verdade foi um favor prestado. Se a desistência partisse dele, o risco do arrependimento poderia bater à sua porta um dia! Sim, Matheus se autossabotou e induziu o avaliador despreparado a fazer exatamente o que ele queria. Para o Matheus havia uma grande diferença entre o prazer que ele sentia enquanto brincava de futebol e o rumo que tudo aquilo estava tomando na sua vida!


Matheus me mostrou que o Pai dele queria que ele vivesse o sonho do Pai. Matheus me mostrou que o Pai dele, ainda que bem-intencionado, o pressionava para que alcançasse através da imperfeição uma perfeição inacessível! Matheus me ensinou que o Pai Educador, o Pai Sonhador, o Pai Ex Atleta e o Pai Torcedor precisavam “sentar, rever e realinhar alguns conceitos”! Matheus me ensinou que o mais importante para nós Pais é vê-los felizes, realizados quanto as suas escolhas, buscando construir seus futuros e sua própria história! O “abismo” entre o que Eu queria para o meu filho Matheus e o que Matheus queria para si estava construído, mas felizmente ficara para trás. Hoje, eu e Matheus caminhamos juntos à procura da felicidade. Matheus atualmente cursa História na UFRJ e tem tudo para ser um excelente Historiador e Professor! E eu? Sou um Pai feliz porque meus filhos estão felizes, construindo suas próprias histórias e estou sempre aprendendo com os dois!


Incentive seu filho (a), participe e invista nisso! Mas faça isto com sabedoria e tranquilidade... E tudo dará certo! Ouça seu filho (a), não se precipite, apoie suas tentativas! Perdoe as limitações do seu filho (a) e PERDOE-SE também por suas limitações! Busque, encontre alternativas que conciliem suas perspectivas com as do seu filho (a). Seu filho (a) é um ser único, peculiar, com virtudes e limitações. Se você Pai, e você Mãe fizerem esta “leitura”, seus filhos serão felizes e bem-sucedidos, dentro ou fora do esporte.


Sou da geração da Banda de Rock Legião Urbana! A música “Pais e Filhos” traz um trecho para reflexão muito interessante que diz:


“Você me diz que seus pais não entendem Mas você não entende seus pais Você culpa seus pais por tudo Isso é absurdo São crianças como você O que você vai ser Quando você crescer”


Por fim,

“É preciso Amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Imagine com que Amor, devemos amar nossos filhos...